• Samanta Hit

Mondai no aru restaurant

Num restaurante, mulheres de diferentes idades, ideias e estilos de vida tentam a inserção numa sociedade e num mercado de trabalho ainda muito machista.  Esse dorama te indico, para aprender a se valorizar e impor respeito.


UM POUCO DA ESTÓRIA

Tomoko (Maki Yoko) decide reunir suas amigas e ex-colegas de trabalho para, juntas, construírem um restaurante. Seu principal objetivo é construir um local em que possa servir as receitas de Satsuki, sua amiga de infância, que teve seu sonho destruído. Satsuki foi, por parte da chefia da empresa, assediada sexual e moralmente (sekuhara= sexual harassment) e, com isso, ficou depressiva e foi obrigada a abandonar seu emprego e voltar à sua terra natal. Tomoko, que trabalhava no mesmo local, tomou as dores da amiga e foi  tirar satisfações com seu chefe e foi demitida.

A desempregada Tomoko, a recém-formada na Universidade de Tokyo Nitta (Nikaido Fumi), o pâtissier homossexual Haiji (Yasuda Ken), a estranha adolescente cozinheira Chika (Matsuoka Mayu), a recém-divorciada Kyoko (Usuda Asami), a falsa-simpática Kawana (Takahata Mitsuki) e a desleixada e peruona Karasumori (YOU) unem suas forças para abrirem o Bistrô Fou. Além da inserção no mercado de trabalho, essas sete mulheres buscam, acima de tudo, reconhecimento pelo o que realmente são e respeito por parte dos homens, que as veem como seres inferiores.


O principal concorrente do Bistrô Fou, é o restaurante que fica bem em frente: Symphonic. Este também traz um cardápio francês e é gerenciado pelo grupo de chefes que humilharam Satsuki. Por isso, a batalha entre os dois estabelecimentos não é somente comercial; é muito mais pessoal. O Symphonic tem como chef de cozinha o ex-namorado de Tomoko, Makoto Monji (Higashide Masahiro), que é grosseiro, frio e que acredita que para cozinhar não é preciso ter amor pela comida… basta ter técnica.


Tomoko, uma mulher carinhosa, forte, decidida e com um enorme coração, vai aos poucos mostrando às pessoas ao seu redor que o mais importante é amar a si mesmo. E que a partir do momento que você se ama, certas atitudes alheias são simplesmente inaceitáveis.

OPINIÃO E ADENDOS

Entre tantos doramas, só escolhi assistir Mondai no aru restaurant (問題のあるレストラン) por trazer a temática gastronômica. Obviamente, muitos pratos são lindamente apresentados e a maior parte da trama acontece dentro de uma cozinha. Mas o que a estória me trouxe não se restringiu a isso; trouxe assédio sexual, a inserção da mulher num mercado de trabalho extremamente machista que vê a mulher somente como um objeto sexual, uma estória de amor… uma grande aprendizagem. Apesar de ser um assunto bem sério, o dorama não é pesado. Com certeza, lágrimas vão rolar. Mas traz, também, muitas cenas engraçadas. Vale muito mesmo! 

Foi o primeiro trabalho da atriz Maki Yoko. Adorei… e vou assistir outras interpretações dela.

As dobradinhas: Higashide Masahiro e Takahata Mitsuki atuaram juntos em” Ao Haru Ride e vêm abraçadinhos nesse dorama também. Higashide também já contracenou com Suda Masaki no asadora “Gochisousan“. Mais uma: Suda estreará um filme em outubro ao lado de Nikaido Fumi, Nanimono”.

NA VIDA REAL

Harassment, 嫌がらせ (iyagarase), assédio… independente do idioma, o significado e as consequências às pessoas vítimas são as mesmas: danos à saúde mental e física. No dorama, são abordadas estórias de mulheres que sofrem de sekuhara (sexual harassment; assédio sexual) e pawahara (power harassment; abuso de poder). Apesar de não ser algo que ocorre somente no Japão, a combinação das duas palavras de origem inglesa, criando uma abreviatura,  é originalmente nipônica. Isso porquê de alguns anos para cá, vem aumentado muito esses tipos de casos (e que estão vindo à público), principalmente nos locais de trabalho(1).

O abuso de poder no Japão vem, segundo Kopp (2), de organizações japonesas tradicionalistas (e antigas), em que os chefes apresentam-se extremamente autoritários, tratando com dureza e não aceitando queixas por parte dos subordinados. Juntamente com tratamentos abusivos, humilhações, insultos ou até mesmo ataques físicos fazem desses casos exemplos de pawahara (3).

Recentemente, o Ministério do Trabalho do Japão decidiu incluir a discriminação a LGBT como um caso de sexual harassment também (4).  Desde 1997, o país tem travado uma luta constante contra casos de sekuhara. E com todo esse poder da tal expressão, acabaram surgindo vários outros tipos de ~hara, especificando diferentes tipos de assédio (5). Veja abaixo alguns exemplos:

  1. aka-hara (academy harassment): assédio de poder num ambiente acadêmico, por superioridade de conhecimento.

  2. bura-hara (bloody harassment): discriminação por tipo sanguíneo.

  3. eiji-hara (age harassment): dicriminação às pessoas pela sua idade.

  4. teku-hara (technologycal harassment): assédio referente ao uso de seu conhecimento tecnológico superior, fazendo outras pessoas se sentirem inferiores.

  5. kaji-hara (kaji= housework harassment): discriminação aos maridos que fazem tarefas domésticas. O abuso vem da parte das mulheres, mas nesse caso, num tom mais carinhoso e de brincadeira.

E assim vai. Ou seja, existem muitos tipos de discriminação. Assim como podem existir pessoas que usam desses termos, indevidamente, para fazerem-se de vítimas, os exemplos verdadeiros podem trazer desfechos muito trágicos, como o suicídio. No caso do dorama, os danos morais foram suficientes para abalar totalmente o psicológico de uma pessoa. Apesar de “Mondai no aru restaurant” ser fictício, o tema abordado é muito real. Cabe a nós aprendermos com tudo isso  e utilizarmos do nosso poder para tentar evitar qualquer tipo de discriminação: o poder do respeito ao próximo.

ELENCO

  1. Maki Yoko como Tanaka Tamako, dona do restaurante

  2. Higashide Masahiro como Makoto Monji, chef de cozinha

  3. Nikaido Fumi como Nitta, recém-formada a procura de emprego

  4. Matsuoka Mayu como Ameki Chika, vive isolando-se de todos

  5. Usuda Asami como Kyoko, recém-divorciada

  6. Yasuda Ken como Haiji, homossexual com medo do preconceito

  7. Takahata Mitsuki como Kawana Airi, aceita o machismo

  8. You como Karasumori, advogada afastada

  9. Suda Masaki como Hoshino, assistente de cozinha

  10. Sugimoto Tetta como chefe Akami Taro

  11.  Fukikoshi Mitsuro como chefe Tsuchida

INFORMAÇÕES

  1. Principais assuntos abordados: assédio sexual e moral, inserção social, abuso de poder, amizade, culinária.

  2. Temporada: Inverno 2015

  3. Escrito por: Sakamoto Yuji

  4. Emissora: Fuji TV

  5. Episódios: 10

  6. Exibição: 15 de janeiro a 19 de março de 2015

  7. Disponível: KissAsian(online) e Dorama x264 (download), com legenda em inglês.

  8. Música-tema: Mondai Girl , de Kyary Pamyu Pamyu. Assista ao trailer:


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(1) https://en.wikipedia.org/wiki/Power_harassment

(2) Kopp, R. Power harassment- japanese workplace bullying. Japan Intercultural Consulting: april 2014.

(3) Kotobank: power harassment. www.asahi.com

(4) The Japan Times News. Japan to define workplace LGBT discrimination as sexual harassment, jun 2016.

(5) The Japan Times News: Blame it on the hara: harassment vocabulary makes us all victims, jan 2013.

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